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EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE NAIF EM CARTAZ EM SANTA TEREZA

Pintor Alejandro Pinzón - obra Mochileno

 

4ª Mostra Internacional de Arte Naïf – Universo da Alma Ingênua & A Pintura Primitiva de Virgínia Tamanini está em cartaz no Instituto Nacional da Mata Atlântica. A obra "Mochileno", do pintor colombiano Alejandro Pinzón, integra a mostra

A Prefeitura Municipal de Santa Teresa e o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), em comemoração ao dia da Colonização Italiana e aos 70 anos de fundação do Museu de Biologia Professor Mello Leitão, abriram essa semana a 4ª Mostra Internacional de Arte Naïf – Universo da Alma Ingênua & A Pintura Primitiva de Virgínia Tamanini, conectando a diversidade artística contemporânea com a vasta cultura tradicional do município. A exposição segue para visitação até setembro.

Grandes nomes da arte naïf internacional participam da Mostra, além de expressiva presença nacional, em especial da região sudeste, com obras que realçam cenas do cotidiano, paisagens naturais e urbanas, de forma singela e impregnada de uma paleta de cores, oscilando entre pura sutileza e intensidade marcante.

Durante a concepção do projeto, a revelação da vertente naÏf da escritora teresense Virgínia Tamanini, grande nome da literatura capixaba e famosa pelo romance Karina, abriu caminho para uma merecida homenagem à artista, com sua biografia contada por uma linha do tempo, exposição de pinturas originais e exemplares de sua obra literária.  Outro grande artista do universo naif homenageado é o mineiro José Damasceno Telles Camilo, mais conhecido como Damasceno, premiado em diversas galerias do país e falecido recentemente, em março deste ano.

Complementando a Mostra, o projeto "Arte na Educação", em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, oferecerá a toda rede de ensino do município um contato especial com o conteúdo expositivo, através de ações que visam enriquecer a experiência cultural dos seus alunos e educadores.  Os usuários e profissionais das instituições sociais também serão contemplados

Arte Naïf

A palavra naïf é um termo francês que significa ingênuo ou inocente. Compreende todo produto artístico de natureza pueril que demonstra uma criatividade autêntica, baseada na simplificação de elementos a níveis espontâneos, puros, coloridos e calorosos.

Henri Rousseau (1844-1910), um pintor autodidata, foi o precursor da arte pictórica naïf, quando expôs suas obras no "Salão dos Independentes" na França, em 1886. A tela, Um anoitecer de Carnaval (Un soir de Carnaval - 1886), chamou a atenção de vários artistas modernistas da época, dentre eles Pablo Picasso (1881-1973).

Por conseguinte, essa expressão artística, muitas vezes chamada de arte primitiva moderna, é permeada por imagens do cotidiano, retratadas de modo a lembrar de desenhos infantis, dada a espontaneidade e pureza. Entretanto, as semelhanças param por aí, tendo em vista que são obras realizadas por artistas independentes e autodidatas, sem formação sistemática, os quais dominam algumas técnicas que lhes permitem total liberdade de expressão, da qual o informalismo é característica marcante. A consciência dessa liberdade pictórica é notada no uso das cores ornamentais e na dimensão onírica que é projetada na tela. Desse modo, a arte naïf pode ser considerada como uma corrente artística com plena liberdade estética, por estar livre das convenções acadêmicas, as quais são desagregadas nas obras, a partir da simplicidade figurativa dos elementos formais da composição. Apesar do direcionamento estético definido, esse desafio à norma acadêmica não foi intencional, muito menos comercial.

Portanto, é impossível enquadrar as criações naïf como sendo de natureza modernista ou popular. Apesar disso, esse estilo criativo influenciou e deixou-se influenciar pelas tendências mais eruditas, permitindo à arte contemporânea novas formas de expressão, tendo em vista que vários pintores com sólida formação acadêmica usaram procedimentos da arte naïf em suas criações.

A arte naïf é produzida por artistas sem formação acadêmica e, portanto, sem a compulsão de utilizar técnicas e temáticas convencionais pertencentes à pintura. Essa corrente artística possui alguns pontos em comum, a saber: inexistência de perspectiva, uso constante de cores chocantes, temas felizes e alegres, espontaneidade, traços figurativos, tendência à simetria e à idealização da natureza, sendo também considerada uma expressão tipicamente regional, assumindo as características de cada localidade.

Dos tempos mais remotos até os dias atuais, inúmeros artistas, expoentes dessa arte, se destacaram, entre os quais podemos citar: Henri Rousseau (França), Pilar Sala (Argentina), Adrie Martens (Holanda), Nadia Senyczak (Bélgica), Angeles Camacho (Espanha) e do Brasil, Ronaldo Mendes, Heitor dos Prazeres, Cardosinho e Nice, entre tantos outros.

Talento no papel e na tela

Virgínia Gasparini Tamanini nasceu no dia 4 de fevereiro de 1897, na fazenda Boa Vista, Vale do Canaã, município de Santa Teresa, Espírito Santo. Filha de Catterina Tamanini e Epifanio Gasparini, ambos nascidos na Itália e vindos como imigrantes para o Brasil no século XIX.

Casou-se com Lourenço Tamanini em 18 de setembro de 1915 e mudou-se para Itapina, distrito de Colatina, devido à presença da ferrovia e do comércio de café no qual seu marido atuava. Tiveram seis filhos, carinhosamente chamados de Fernando, Norka, Lola, Déa, Gina e Edith.

Desde cedo revelou inclinação para as letras, tanto que, aos 25 anos, escreveu um romance folhetim intitulado Amor sem Mácula (1922/1923), publicado em capítulos semanais no jornal O Comércio, de Santa Leopoldina, usando o pseudônimo Walkyria. Em 1964 publicou sua obra-prima, o romance Karina, sobre a imigração italiana no Espírito Santo e que lhe conferiu reconhecimento nacional como escritora. Essa obra tornou-se famosa e alcançou grande repercussão, principalmente entre a comunidade italiana do Estado, pois Virginia utilizou sua narrativa para descrever as desventuras e dificuldades de milhares de imigrantes italianos que deixaram sua terra natal em busca do sonho de uma vida melhor em terras capixabas. Também se destacou nas artes visuais; dona de um impressionante e autêntico estilo naïf, pintou diversas obras que retratam cenas de ambientes e paisagens naturais da época e do seu cotidiano em família

Virgínia participou, juntamente com outras escritoras e intelectuais capixabas, da fundação da Academia Feminina Espírito-santense de Letras (Afesl) em 18 de julho de 1949. Recebeu o título de cidadã honorária de várias cidades capixabas, além de homenagens com seu nome em rua e galerias de artes. Em 2016 foi inaugurado, no sobrado onde morou depois de casada, o Museu Virgínia Tamanini, no distrito de Itapina, município de Colatina (ES). A artista faleceu em Vitória, aos 94 anos, em 18 de outubro de 1990. Graças à sua família, que zelou pelo seu precioso acervo, hoje podemos usufruir do humanismo presente na diversidade da obra dessa brilhante artista teresense.

Artistas da Mostra

Ângela Gomes (ES, Brasil), Alejandro Pinzón (Colômbia), Asta Gatz Birle (SP, Brasil), Adriano Dias (PB, Brasil), Ademir Torres (MG, Brasil), Bárbara Jozefowicz (Polônia), Celso Fregona (ES, Brasil), Damasceno (MG, Brasil), Dionísio "Tio Tonho" (MG, Brasil), Edith (SP, Brasil), Eliana Martins (MG, Brasil), Elsa Farias (SP, Brasil), Erminda Breda (ES, Brasil), Fatima Camargo (SP, Brasil), Fernanda Pires (Portugal), Gerardo de Souza (RJ, Brasil), Gilberto (ES, Brasil), Helena Rodrigues (BA, Brasil), Henri Nabolle (África Ocidental), Henry Vitor (MG, Brasil), Ivone Mendes (PE, Brasil), José Jorge Chavez Morales (Peru),  José Manuel Escobar Rios (Peru), Juju Menegatti (ES, Brasil), Kia Maria Aho (Finlândia), Lidia Papic (Argentina), Lucy Aguirre (RS, Brasil), Marinilda Boulay (SP, Brasil), Marja Muusa Hämähänen (Finlândia), Nkundy-S (República de Angola, África Ocidental), Orna Geva (Israel), Ottilia Cormos (Romênia), P. Jorge (BA, Brasil), Rafael Leon (Itália), Raquel Gallena (SP, Brasil), Rimaro (MG, Brasil), Rômulo Cardozo (ES, Brasil), Sancler Rosetti (ES, Brasil), Susy Kleyf (Israel), Tany Perez (Republica Dominicana), Virgínia G. Tamanini (ES, Brasil), Viktoriya Milgalter (Israel), Willi de Carvalho (MG, Brasil) e Yuri Rodriguez (México).

Serviço
4ª Mostra Internacional da Arte Naif Universo da Alma Ingênua & A Pintura Primitiva de Virgínia Tamanini

Local: Instituto Nacional da Mata Atlântica – INMA/Museu de Biologia Prof. Mello Leitão - Pavilhão de Botânica

Até dia 8/9 (domingo)

Visitação: terça a domingo, das 8h às 17h (incluindo feriados)

Entrada gratuita

Classificação: livre

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