Prosseguindo nossa jornada pela bela e misteriosa Rússia, embarcamos numa viagem noturna com 8 horas de duração (682 km), a bordo de um trem que, deslizando sobre trilhos em linha reta, liga Moscou a São Petersburgo.
Ao desembarcarmos na estação central, o que eu mais temia aconteceu: a nos esperar, estava Alexei, o mesmo guia mal humorado que havia me ciceroneado 13 anos antes. E, por incrível que pareça, ambos nos reconhecemos de imediato. Eu pensando que seria dureza aturá-lo novamente e ele, com toda certeza, imaginando a tortura de ser novamente bombardeado com centenas de perguntas pela turista mais ávida por informações que já conhecera. Isso, aliás, me foi confessado mais tarde.
São Petersburgo, também já chamada Leningrado, foi a capital do país na época do império russo, que se iniciou com Pedro I, o Grande, e teve, como último representante, Nicolau II Romanov. Segunda maior cidade da Rússia localiza-se na foz do Rio Neva e, cortada por vários canais, tem um charme que lhe é peculiar.
Muitas são as atrações a serem visitadas nessa belíssima cidade, espalhada por várias ilhas ligadas por bonitas e levadiças pontes, mas, sem dúvida alguma, o Museu Hermitage, situado na imponente Praça do Palácio, é o ponto alto do passeio.
Concebido para ser o Palácio de Inverno dos imperadores russos, iniciou sua grande transformação para o que hoje se apresenta, quando, nos tempos de Catarina II, dívidas do marchant prussiano Johannes Gotz Kovski para com o tesouro russo foram pagas com 225 obras de arte, principalmente de pintores holandeses e flamengos do século XVII. Para abrigar as coleções que cresciam vertiginosamente, a imperatriz mandou erigir um novo edifício, que recebeu o nome de Pequeno Hermitage, ao qual se seguiram o Velho Hermitage, o Novo Hermitage e o Teatro do Hermitage, todos incorporados ao Palácio de Inverno e compondo, juntos, talvez o mais rico museu do mundo.
Dentre as obras de arte exibidas nos suntuosos cômodos, além de Monet, Renoir, Picasso, Degas e Gauguin, destacam-se “Madonna Benois” e “Madonna Litta”, de Leonardo da Vinci, quatro telas de Van Gogh, “A Volta do Filho Pródigo”, de Rembrandt, “A Dança” de Henri Matisse e “São Pedro e São Paulo”, de El Greco. Dos objetos e utensílios de uso pessoal dos imperadores, o que mais chama a atenção é um pequeno relógio sobre um rinoceronte, que marca a hora exata em que a tropa de Lênin tomou o então Palácio de Inverno do governo provisório burguês, dando início, em outubro de 1917, à Revolução Comunista.
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