Depois de 10 dias em Israel, segui para Roma, onde fiquei durante 30 dias, para receber as minhas primeiras lições da língua italiana. Meu curso do idioma foi feito na Torre di Babele, uma escola para estrangeiros localizada na Via Cosenza, 7, próxima à Piazza Bologna e ao apartamento alugado onde fiquei. Estudar italiano foi o pretexto de que precisava para passar um mês na cidade européia de que mais gosto, ainda mais linda iluminada por conta das festas de fim de ano. Minhas aulas aconteciam de segunda a sexta-feira, das 9:00 às 12:30 horas e, durante as tardes (todas elas, sem exceção), me esfalfava desbravando a capital italiana.
Quem a conhece, sabe que Roma é um museu a céu aberto e, talvez por esse motivo, embora com uma história notoriamente riquíssima, não possua uma instituição do porte do Louvre ou do Hermitage. Caminhar por Roma, para mim, equivale à benção de estar viva. É uma emoção indescritível. É sonhar de olhos abertos. Como sempre faço, quando vou àquela linda cidade, revi, muitas vezes e com mais tranquilidade, todos os pontos turísticos obrigatórios, excelentes locais para obtenção de lindas fotografias. Destaco, dentre outros:
Foro Romano - atravessado pela Via Sacra, é o conjunto de monumentos da Roma Antiga cujos restos se encontram entre o Capitólio, os Foros Imperiais, o Coliseu e o Palatino, e onde, na antiguidade, se desenrolava a vida pública da cidade.
Coliseu – Ao fundo da Via do Foro Imperial, entre as Colinas Esquilino, Palatino e Celio, surge majestoso um dos maiores prodígios da civilização romana. Trata-se de um imenso anfiteatro, com ruínas incrivelmente preservadas, que permite, até hoje, admirar o seu esplendor. Seu verdadeiro nome é “Anfiteatro Flávio”. Foi vulgarmente designado Coliseu pelas suas proporções gigantescas e pela vizinhança com o Colosso de Nero. Tinha a função de um enorme estádio da nossa época, mas o que os romanos admiravam eram os jogos de Circo, inventados nos últimos tempos da República, para estimular, nos espectadores, o espírito guerreiro, que os transformava em senhores do mundo. Foi isso que deu origem à profissão dos gladiadores, que se matavam entre si, enquanto feras de toda a espécie aumentavam o horror dos espetáculos.
Fontana di Trevi – Circundada pelos característicos telhados romanos, à ela se chega quase que de surpresa, por ruas inesperadas e estreitas do centro da capital. É a fachada de um palácio decorada com estátuas e baixos relevos em cima de rochas que se erguem das águas, decorada por vários artistas da escola de Bernini. Diz a lenda que bebendo a sua água ou atirando uma moeda para a fonte, o estrangeiro assegura o seu retorno à cidade. Por via das dúvidas, sempre garanto o meu regresso.
Pantheon – Glória de Roma, é o mais perfeito e impressionante de todos os monumentos clássicos que restaram na cidade. A inscrição na cornija do pórtico “M. Agrippa L. F. Cons. tertium fecit” refere-se a um templo mandado construir por Marcos Agrippa em 27 a.C, dedicado às divindades que protegiam a família Júlia. No topo, há uma abertura em forma de círculo com 8,92 metros de diâmetro, por onde entram a luz e o ar, permitindo ver o céu, que parece penetrar no templo, para que a oração possa subir livremente. Ali se encontram os restos mortais de Vittorio Emanuelle II, pai da pátria e primeiro rei da Itália, e do pintor Raffaello, dentre outros.
Piazzas Navona, Venezzia, di Spagna, del Popolo e della Repubblica (com a Fonte das Náiades e a Igreja de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires).
Monumento a Vittorio Emanuelle II – desenhado por Giuseppe Sacconi, para celebrar a independência italiana, comporta, no centro, o Altar da Pátria, com a estátua de Roma, aos pés da qual foi colocado, mais tarde, o Túmulo do Soldado Desconhecido.
Vias del Corso, del Babuino e dei Condotti – onde se encontram as lojas dos grandes designers da moda, como Fendi, Miu-Miu, Chanel, Céline, Gucci, Prada, Valentino, Hermès, Armani, Jimmy Choo, Burberry e Casadei.
Vila Borghese – Linda e vasta área verde que abriga o Museu e a famosa Galeria Borghese, onde, inicialmente, foram colocadas as riquíssimas coleções de obra de arte (pintura e escultura) do Cardeal Scipione Borghese.
Castelo de Sant’Angelo – O que hoje nos parece uma antiga fortaleza, foi idealizado pelo Imperador Adriano, para ser o seu mausoléu. Iniciado no ano 123, recebeu os restos mortais dos membros das famílias imperiais até Caracalla, em 217. A sua transformação em castelo se deu, possivelmente, no século X, quando caiu em poder de Alberico e Marozia. Passou, em seguida, para a família Crescenzi e, em 1277, foi ocupado por Nicolau III, que o ligou ao Vaticano por meio da conhecida “passagem’, cenário, aliás, do livro “Anjos e demônios”, de Dan Brown. Desde então, encontra-se em poder dos Papas. Do seu terraço, tem-se uma linda vista de Roma e do Estado do Vaticano.
Ilha Tiberina – Encravada no rio Tibre, sobre as ruínas do célebre Templo de Esculápio, o deus grego da Medicina, hoje abriga um hospital. Sua vista aérea é fantástica.
Uma tarde dedicada ao Vaticano (Basílica de São Pedro e Capela Sistina) e noites gastas nos deliciosos restaurantes do Campo dei Fiori e Trastevere, obviamente, também fizeram parte do roteiro de praxe.
Além disso, com tempo de sobra, embarcava nas estações de metrô rumo a locais que ainda não conhecia, não por falta de vontade, mas de tempo. Aí, então, percorri.
As Termas de Caracalla – Início da Via Appia Antiga, era o local em que, simultaneamente, cerca de 1600 pessoas podiam tomar banhos quentes, mornos e frios, em grandes salas. Comportavam abóbadas fenomenais, pórticos e ginásios feitos com o mais raro mármore, as mais colossais colunas, as mais bonitas estátuas. As banheiras eram de basalto, granito e alabastro. Até hoje, o visitante se surpreende com o sugestivo e inimitável cenário destas ruínas.
A Via Appia Antiga – Iniciada por Appio Cláudio em 312 a.C, é a estrada mais antiga de Roma e que apresenta os mais interessantes elementos de caráter arqueológico. Era ladeada por sepulturas e lembranças de defuntos das famílias mais nobres. Ultrapassada a Porta de São Sebastião, chega-se à Basilica de mesmo nome, onde, à direita da nave, está a Capela “Quo Vadis”, erigida no local onde, segundo a lenda, São Pedro teve uma visão de Cristo. Estão ali, precisamente no subsolo, as impressionantes Catacumbas de São Sebastião, uma espécie de mina de terra vulcânica, cujas galerias foram utilizadas para as primeiras sepulturas cristãs.
A fantástica Basílica de São Paulo fora de muros – a mais brilhante das igrejas de Roma, erguida sobre a sepultura do “Apóstolo das Gentes”, foi destruída por um incêndio em 1823 e reconstruída, sobre os mesmos alicerces e seguindo o mesmo modelo, em 1854, a mando do Papa Pio IX. Possui cinco naves e um grandioso quadripórtico, composto por 150 colunas, através das quais se difunde uma luz mística proveniente da dupla fila de janelas em alabastro. Abaixo do baldaquino, em estilo gótico, encontra-se a Arca Marmórea, onde estão expostas gloriosas relíquias de São Paulo, incluindo as correntes que o prenderam. A parte superior da bela fachada é feita em mosaicos de ouro e cores.
Igreja de San Pietro in Viccoli - Abriga o Mausoléu do Papa Júlio II, fabulosa obra de Michelângelo, em cujo centro se destaca a figura de Moisés, chefe e legislador do povo hebreu, emanando, apesar da posição simples em que foi representado, um incrível sentido de majestade. Júlio II aparece representado na parte superior, deitado abaixo da figura da Virgem Maria e entre as de uma sibila e de um profeta. Na mesma igreja se encontram as correntes que aprisionaram São Pedro durante o reinado de Herodes.
O Teatro de Marcello, único teatro antigo que ainda resta em Roma, recentemente restaurado e que serviu de modelo para a construção do Coliseu, atrás do qual estão as ruínas do Pórtico de Octávia e o Ghetto Judeu, com a mais linda sinagoga que conheci, além de deliciosos cafés e restaurantes, inclusive de comida kosher.
Visitei, também, exposições temporárias sobre “Roma nos Tempos de Caravaggio”, “Il Rinascimento” e de fotografias de Henri Cartier-Bresson e Mario Testino, que fez questão de exibir a nossa linda Gisele Bündchen.
Como não teria como encontrar obras do meu pintor favorito, Johannes Vermeer, à cata das quais saio quando sei que posso encontrá-las, passei parte do meu tempo vendo e revendo as telas de Michelangelo Merisi, “detto Caravaggio”, uma das quais acabei por encontrar, antes do meu regresso ao Brasil, na Ilha de Malta, onde o pintor foi preso pela última vez. Peregrinando pela cidade, contemplei, sempre que por ali passava, a minha obra favorita, “A Crucificação de Pedro”, na parede lateral esquerda da Capela Cerasi, na Igreja Santa Maria del Popolo, em frente à qual fica sua tela “A Conversão de São Paulo”. Percorri, outrossim, as Gallerias Borghese e Doria Pamphili, as Igrejas de Sant’Agostino e San Luigi dei Francesi, o Museu Capitolini e o Palazzo Barberini, onde pude admirar outras quase 20 telas do mencionado pintor.
Tornou-se parada obrigatória da minha família a Gelateria Grom, já aludida por Lívia aqui no blog. Embora haja mais de uma em Roma, a nossa escolha era a localizada na Via della Maddalena, próxima ao Pantheon, onde a simpática atendente Giulia ensaiava umas palavras em português, sempre que nos avistava. Viramos "figurinhas fáceis" ali e, apesar de provarmos os diversos sabores dos sorvetes sem corantes e aditivos químicos oferecidos, o delicioso e inigualável "fior di latte" era rotineiramente um deles.
Apesar do tamanho e do conteúdo desse post já ter superado aquilo que inicialmente me propus a fazer, quero me referir, ainda, aos Restaurantes Aghata e Romeu e La Pergola, premiados, respectivamente, com 2 e 3 estrelas no Guia Michelin, e que merecem, portanto, uma visita.
Por derradeiro, ainda invocando a emoção que me assola quando vou a Roma, quero destacar que até o trajeto para o aeroporto Leonardo da Vinci, em Fiumicino, me encheu de lágrimas os olhos. Naquela tarde do dia 30 de janeiro de 2012, ao cruzar a Av. Cristoforo Colombo, ladeada pelos lindos e únicos Pinhos de Roma, na minha despedida da cidade, fui brindada com um lindo pôr do sol e não pude deixar de me lembrar da minha mãe e, com uma saudade doída, agradecer-lhe por ter me trazido à vida e possibilitado, assim, viver momentos tão inesquecíveis.