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Flavia Neffa

Sala de Embarque

Por Flavia Neffa
Quarta-Feira, Dia 16 de Maio de 2012
Poucas são as pessoas que já ouviram falar sobre Malta e, menos ainda, são aquelas que, como eu, tiveram o privilégio de conhecê-la. Por isso, quando tanto há a ser informado, é uma tarefa inglória discorrer, em espaço reservado, acerca desse arquipélago, situado no coração do Mar Mediterrâneo, entre o norte da África e o Sul da Sicília e cuja língua oficial, o maltês, é uma mistura de árabe (50%), italiano (20%), francês (10%), constituindo-se os restantes 20% de inglês e alemão.

São séculos de história, esplêndidos monumentos, inestimáveis tesouros, fortalezas, igrejas riquíssimas e imponentes muralhas, construídas para proteger as cidades locais, durante eras governadas pelos Cavaleiros da Ordem de São João, cujos anos de governo foram os mais gloriosos da história do arquipélago. Atacados pelos turcos em 1547 e 1551, os Cavaleiros se viram obrigados a construir numerosas fortificações, como os Fortes S. Angelo e S. Elmo, na costa norte de Malta.

Nessas ilhas, a pedra conhecida como “globigerina limestone” molda a silhueta complexa das construções, que são embelezadas por peculiares sacadas coloridas e cúpulas avermelhadas. Há muito o que se ver nas cidades maltesas, tão juntinhas umas das outras, que fica difícil identificar seus limites geográficos e definir, com certeza, o que é uma cidade e o que é um bairro.

Republic Streeet, a mais comprida, mais larga e mais concorrida da cidade, começa logo depois da Fonte de Tritão, a partir da Porta da Cidade até o Forte S. Elmo. Trata-se de uma rua de pedestres, onde se concentram as melhores lojas, os principais escritórios, duas igrejas e os edifícios monumentais. Estão aqui, dentre outros, o Palácio dos Grandes Mestres, o Museu Nacional de Arqueologia (L’Auberge de Provence), a Biblioteca Nacional, em Queen´s Square, a Praça S. George, o Teatro Manoel, a Merchant Street e a fenomenal Saint John´s Co-Cathedral, com o solo completamente coberto com lápides coloridas e onde se encontra exposta a "Decapitação de São João Batista", de Caravaggio, que teve em Malta o local de sua última prisão.

O melhor restaurante que experimentamos, em Valletta, foi o Blue Room Chinese Restaurant. No Shopping Embassy Complex & Cinemas, há boas lojas como Benetton, Bershka, Monsoon e Promod, além de um bingo eletrônico e um disputado café com wi-fi. Os filmes, ali, são interrompidos por intervalo de 15 minutos, o que eu nunca antes havia visto.

A denominada "The Silent City", onde se destaca uma compacta estrutura urbana medieval, foi a capital do arquipélago na idade média. A sua entrada principal se dá pelo Portão Mdina, acesso à ruelas bem estreitas, que demandam um passeio de charrete ou uma caminhada sem pressa. Nesse local, encontra-se a Catedral do país (dedicada inicialmente à Virgem Maria e, depois de reconstruída, a São Paulo) e a Casa Gourgion, modelo perfeito de construção de Malta. É imperdível assistir ao belíssimo vídeo "The Mdina Experience", em Mesquita Square, sobre a história do país. Mdina é "sui generis", pois é o único lugar na ilha que manteve um velho sabor puramente maltês.

Grudadinha em Mdina, Rabat se destaca no cenário maltês por abrigar o Museu da Antiguidade Romana, a gruta onde São Paulo ficou preso durante três meses, após um naufrágio a caminho de Roma (para ser julgado), período durante o qual converteu milhares de pessoas ao Catolicismo. Bem próximas, encontram-se as Catacumbas de São Paulo e Santa Ágata, onde há uma enorme concentração de sepulturas de origem pagã, judia ou cristã, uma vez que eram proibidos os enterros dos mortos entre os muros da cidade.

"As três cidades", conhecidas como "Cottonera", estão situadas, completamente emboladas, nos arredores do porto de La Valletta. Nelas vale, além de caminhar, admirando sua beleza ímpar, visitar alguns pontos específicos. Em Vittoriosa, a Igreja de São Lorenzo, a Praça Victoria, local em que está estabelecido um Café de nome Brazil, o Museu Marítimo e o Forte Rinella. Em Senglea, uma das mais famosas atrações é a inusitada atalaia hexagonal com decoração particular nos Jardins Safen Haven, cuja imagem é cartão postal do país. Em Malta, a figura de olhos, chamadas "luzzu", de origem fenícia e também presentes nos coloridos barcos, tem a função de proteger contra o perigo. Em Cospicua, o Portão de Santa Helena, acesso meridional à cidade, e a reluzente estátua da Virgem Maria, muito venerada ali e, em geral, também em Vittoriosa e Senglea.


SLIEMA
Com 40.000 habitantes e à beira-mar, é o centro mais populoso, ativo e desenvolvido de todo o arquipélago. Lá, ficam os melhores restaurantes, bares, cafés, as lojas mais conhecidas e o lindo Shopping "The Point", com o imperdível "Cioconat Lounge".


ST. JULIAN´S e PACEVILLE
São duas cidades dedicadas ao entretenimento, com intensa vida noturna em pubs, restaurantes, discotecas e bares da moda. Nessa região, destaca-se a Torre de Portomaso, o prédio mais alto do país, um complexo de lojas, escritórios e residências, que recebeu o prêmio de melhor "Marina Development" da Europa no ano de 2000.


Num city tour pela ilha principal do arquipélago, onde se encontram as cidades acima mencionadas, outros locais devem ser visitados. Em Mellieha, a Golden Bay. O nosso almoço se deu no Restaurante Alioglio, do Hotel Radisson (recomendo o risoto de aspargos frescos, salaminho e ervas). Bugibba, cidade alegre, plena de bares e restaurantes ladeados por coqueiros, e St. Paul´s Bay, local do desembarque de São Paulo durante o naufrágio do ano 60 d.C e onde o Santo teria saciado sua sede.

Marsaxlokk, uma pitoresca vila de pescadores, situada na parte sudoeste de Malta, com suas barcas de pesca pintadas com cores vivas e os tradicionais olhos de proteção, além da bonita Catedral de Nossa Senhora de Pompéia. Wied iz-Zurrieq e Blue Grotto, caverna marítima cujo fundo é de um azul intenso e que serviu de refúgio à população, sempre que soava o alarme, dando conta de um possível ataque aéreo, durante a Segunda Guerra. Com ambiente simples, o Restaurante Tax-Xiha oferece um gostoso prato do peixe Lampuki, tradicional da ilha:



ILHAS DE GOZO E COMINO
Após 40 minutos de estrada, chega-se ao Porto de Cirkewwa, de onde sai o ferryboat até a Ilha de Gozo, passando em frente a de Comino, com sua Blue Lagoon de águas transparentes, própria para o mergulho. O percurso dura menos de meia hora. Diz a história que Gozo é a ilha descrita por Homero em sua "Odisséia". Seus pontos de interesse turístico são a capital, Victoria, com sua encantadora Cidadela e a Praça da Catedral, a Calypso Cave, Ramla Bay, Gigantua Temples e Dwejra. Dwejra é, talvez, o marco natural mais espetacular do arquipélago. A geologia, o tempo e o mar, trabalhando em conjunto, produziram algumas das paisagens mais notáveis das ilhas. A Janela Azure (uma rocha em forma de mesa sobre o mar), o Mar Interior, Fungus Rock, penhascos e um litoral rochoso, produzindo restos fossilizados de seres marinhos que datam do período Mioceno. Além de topografia visível acima do mar e do solo, existem, também, algumas cavernas subaquáticas fascinantes, que proporcionam excelentes locais de mergulho:


Antes de retornar ao porto de Mgarr, dominado pelas elegantes linhas da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, experimentamos o delicioso "ravioli with Gozo cheese and tomato sauce" do Restaurante Palazzo Antonin, em Independence Square, bem no centro de Victoria.



Eis, aqui, o meu relato acerca desse belo país, que tive grande prazer e uma enorme emoção em apreciar.

Terça-Feira, Dia 24 de Abril de 2012
Voltar a Nápoles foi uma grata surpresa. Há muitos anos passei por lá e tinha na memória a imagem de uma cidade suja e com roupas penduradas em varais nas fachadas dos prédios. Tenho de admitir que limpeza não é sua melhor qualidade, mas Nápoles é linda e tem muito a oferecer aos turistas.

Antes de iniciar as visitas à cidade, em companhia de minhas filhas e de meu genro Vitor, peguei o trem da linha Circumvesuviano rumo às ruínas de Pompéia, que era uma típica cidade romana, situada próxima ao vulcão Vesúvio, o qual, no ano de 79, entrou em erupção violenta, provocando um forte terremoto e expelindo grandes quantidades de pedras incandescentes, lava vulcânica, poeira e fumaça tóxica. A cidade de Pompéia foi inteiramente coberta, tendo quase toda a sua população morrido soterrada. No final do século XVIII, foi redescoberta por um agricultor que, ao trabalhar na região, localizou um dos muros da cidade, escavada por arqueólogos nos dois séculos seguintes. Casas, prédios públicos, aquedutos (sistema de condução de água), teatros, termas, lojas e outras construções foram encontrados. Os arqueólogos acharam também objetos e afrescos, que revelaram importantes aspectos do cotidiano de uma cidade típica do Império Romano. O que mais os impressionou, contudo, foram os corpos petrificados, em posição de proteção, que acabaram atingidos pelas lavas vulcânicas.

No final da tarde do mesmo dia, saí para conhecer a Capella Sansevero, ricamente construída no final do século XVI, onde havia uma imagem de uma Madonna que, milagrosamente, teria salvado a vida do Príncipe Giovan Franceso di Sangro. Restaurada dois séculos depois, por ordem do herdeiro Raimondo di Sangro, Príncipe de Sansevero, foi ricamente decorada com trompe l’oeils e belíssimas esculturas ao longo das paredes. No centro da nave, está exposta a escultura de mármore de Giuseppe Sanmartino, denominada "Cristo Velato", uma obra-prima deslumbrante, de 1753. Diz-se que o véu foi de pano, reforçado com as práticas alquimistas do príncipe. Em um compartimento abaixo, estão as "máquinas anatômicas" e dois esqueletos, de uma mulher e um homem, cobertos por uma rede com detalhes minuciosos de veias e artérias, resultado de parte das experiências e das invenções implementadas pelas químicas do mesmo nobre.

Outros pontos visitados foram: a Catedral San Gennaro, o padroeiro de Nápoles; a maravilhosa Piazza del Plebiscito, cujos 25 mil m2 abrigam os Palácios Real e da Prefeitura, e a Basílica de San Francesco di Paola; Os Castelos Maschio Angioino, Sant’Elmo e Dell’Ovo; O típico mercado San Gregório Armeno e a chamada Spaccanapoli, com ruelas tão estreitas que me fizeram duvidar de que por ali passaria um carro; A Galeria Umberto I, com linda arquitetura e algumas boas opções de compras; O famoso Teatro San Carlos; As Vias Partenope, à beira mar, e Calabritto, onde estão as lojas de designers famosos; Uma belíssima vista da cidade e do Golfo de Nápoles é obtida do mirante da Via Posillipo, onde parei para tirar fotos perfeitas, num dia de muito sol e céu azul; Os restaurantes que recomendo são o "Trattoria Medina", típico de Nápoles, cuja especialidade é um famoso antipasto com quatro opções, que equivalem à uma farta refeição, e o "Il Pomodorino", que oferece uma pizza de mozzarella de búfala dos deuses; Finalmente, não se pode retornar de Nápoles, sem, antes, provar "sfogliatella", o delicioso doce típico local. O do Caffé Vittoria é de comer de joelhos.

Próxima parada: Malta.
Segunda-Feira, Dia 19 de Março de 2012
Depois de 10 dias em Israel, segui para Roma, onde fiquei durante 30 dias, para receber as minhas primeiras lições da língua italiana. Meu curso do idioma foi feito na Torre di Babele, uma escola para estrangeiros localizada na Via Cosenza, 7, próxima à Piazza Bologna e ao apartamento alugado onde fiquei. Estudar italiano foi o pretexto de que precisava para passar um mês na cidade européia de que mais gosto, ainda mais linda iluminada por conta das festas de fim de ano. Minhas aulas aconteciam de segunda a sexta-feira, das 9:00 às 12:30 horas e, durante as tardes (todas elas, sem exceção), me esfalfava desbravando a capital italiana.


Quem a conhece, sabe que Roma é um museu a céu aberto e, talvez por esse motivo, embora com uma história notoriamente riquíssima, não possua uma instituição do porte do Louvre ou do Hermitage. Caminhar por Roma, para mim, equivale à benção de estar viva. É uma emoção indescritível. É sonhar de olhos abertos. Como sempre faço, quando vou àquela linda cidade, revi, muitas vezes e com mais tranquilidade, todos os pontos turísticos obrigatórios, excelentes locais para obtenção de lindas fotografias. Destaco, dentre outros:


Foro Romano - atravessado pela Via Sacra, é o conjunto de monumentos da Roma Antiga cujos restos se encontram entre o Capitólio, os Foros Imperiais, o Coliseu e o Palatino, e onde, na antiguidade, se desenrolava a vida pública da cidade.


Coliseu – Ao fundo da Via do Foro Imperial, entre as Colinas Esquilino, Palatino e Celio, surge majestoso um dos maiores prodígios da civilização romana. Trata-se de um imenso anfiteatro, com ruínas incrivelmente preservadas, que permite, até hoje, admirar o seu esplendor. Seu verdadeiro nome é “Anfiteatro Flávio”. Foi vulgarmente designado Coliseu pelas suas proporções gigantescas e pela vizinhança com o Colosso de Nero. Tinha a função de um enorme estádio da nossa época, mas o que os romanos admiravam eram os jogos de Circo, inventados nos últimos tempos da República, para estimular, nos espectadores, o espírito guerreiro, que os transformava em senhores do mundo. Foi isso que deu origem à profissão dos gladiadores, que se matavam entre si, enquanto feras de toda a espécie aumentavam o horror dos espetáculos.


Fontana di Trevi – Circundada pelos característicos telhados romanos, à ela se chega quase que de surpresa, por ruas inesperadas e estreitas do centro da capital. É a fachada de um palácio decorada com estátuas e baixos relevos em cima de rochas que se erguem das águas, decorada por vários artistas da escola de Bernini. Diz a lenda que bebendo a sua água ou atirando uma moeda para a fonte, o estrangeiro assegura o seu retorno à cidade. Por via das dúvidas, sempre garanto o meu regresso.

Pantheon – Glória de Roma, é o mais perfeito e impressionante de todos os monumentos clássicos que restaram na cidade. A inscrição na cornija do pórtico “M. Agrippa L. F. Cons. tertium fecit” refere-se a um templo mandado construir por Marcos Agrippa em 27 a.C, dedicado às divindades que protegiam a família Júlia. No topo, há uma abertura em forma de círculo com 8,92 metros de diâmetro, por onde entram a luz e o ar, permitindo ver o céu, que parece penetrar no templo, para que a oração possa subir livremente. Ali se encontram os restos mortais de Vittorio Emanuelle II, pai da pátria e primeiro rei da Itália, e do pintor Raffaello, dentre outros.


Piazzas Navona, Venezzia, di Spagna, del Popolo e della Repubblica (com a Fonte das Náiades e a Igreja de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires).



Monumento a Vittorio Emanuelle II – desenhado por Giuseppe Sacconi, para celebrar a independência italiana, comporta, no centro, o Altar da Pátria, com a estátua de Roma, aos pés da qual foi colocado, mais tarde, o Túmulo do Soldado Desconhecido.


Vias del Corso, del Babuino e dei Condotti – onde se encontram as lojas dos grandes designers da moda, como Fendi, Miu-Miu, Chanel, Céline, Gucci, Prada, Valentino, Hermès, Armani, Jimmy Choo, Burberry e Casadei.



Vila Borghese – Linda e vasta área verde que abriga o Museu e a famosa Galeria Borghese, onde, inicialmente, foram colocadas as riquíssimas coleções de obra de arte (pintura e escultura) do Cardeal Scipione Borghese.   Castelo de Sant’Angelo – O que hoje nos parece uma antiga fortaleza, foi idealizado pelo Imperador Adriano, para ser o seu mausoléu. Iniciado no ano 123, recebeu os restos mortais dos membros das famílias imperiais até Caracalla, em 217. A sua transformação em castelo se deu, possivelmente, no século X, quando caiu em poder de Alberico e Marozia. Passou, em seguida, para a família Crescenzi e, em 1277, foi ocupado por Nicolau III, que o ligou ao Vaticano por meio da conhecida “passagem’, cenário, aliás, do livro “Anjos e demônios”, de Dan Brown. Desde então, encontra-se em poder dos Papas. Do seu terraço, tem-se uma linda vista de Roma e do Estado do Vaticano.


Ilha Tiberina – Encravada no rio Tibre, sobre as ruínas do célebre Templo de Esculápio, o deus grego da Medicina, hoje abriga um hospital. Sua vista aérea é fantástica.


Uma tarde dedicada ao Vaticano (Basílica de São Pedro e Capela Sistina) e noites gastas nos deliciosos restaurantes do Campo dei Fiori e Trastevere, obviamente, também fizeram parte do roteiro de praxe.


Além disso, com tempo de sobra, embarcava nas estações de metrô rumo a locais que ainda não conhecia, não por falta de vontade, mas de tempo. Aí, então, percorri.



As Termas de Caracalla – Início da Via Appia Antiga, era o local em que, simultaneamente, cerca de 1600 pessoas podiam tomar banhos quentes, mornos e frios, em grandes salas. Comportavam abóbadas fenomenais, pórticos e ginásios feitos com o mais raro mármore, as mais colossais colunas, as mais bonitas estátuas. As banheiras eram de basalto, granito e alabastro. Até hoje, o visitante se surpreende com o sugestivo e inimitável cenário destas ruínas.


A Via Appia Antiga – Iniciada por Appio Cláudio em 312 a.C, é a estrada mais antiga de Roma e que apresenta os mais interessantes elementos de caráter arqueológico. Era ladeada por sepulturas e lembranças de defuntos das famílias mais nobres. Ultrapassada a Porta de São Sebastião, chega-se à Basilica de mesmo nome, onde, à direita da nave, está a Capela “Quo Vadis”, erigida no local onde, segundo a lenda, São Pedro teve uma visão de Cristo. Estão ali, precisamente no subsolo, as impressionantes Catacumbas de São Sebastião, uma espécie de mina de terra vulcânica, cujas galerias foram utilizadas para as primeiras sepulturas cristãs.


A fantástica Basílica de São Paulo fora de muros – a mais brilhante das igrejas de Roma, erguida sobre a sepultura do “Apóstolo das Gentes”, foi destruída por um incêndio em 1823 e reconstruída, sobre os mesmos alicerces e seguindo o mesmo modelo, em 1854, a mando do Papa Pio IX. Possui cinco naves e um grandioso quadripórtico, composto por 150 colunas, através das quais se difunde uma luz mística proveniente da dupla fila de janelas em alabastro. Abaixo do baldaquino, em estilo gótico, encontra-se a Arca Marmórea, onde estão expostas gloriosas relíquias de São Paulo, incluindo as correntes que o prenderam. A parte superior da bela fachada é feita em mosaicos de ouro e cores.


Igreja de San Pietro in Viccoli - Abriga o Mausoléu do Papa Júlio II, fabulosa obra de Michelângelo, em cujo centro se destaca a figura de Moisés, chefe e legislador do povo hebreu, emanando, apesar da posição simples em que foi representado, um incrível sentido de majestade. Júlio II aparece representado na parte superior, deitado abaixo da figura da Virgem Maria e entre as de uma sibila e de um profeta. Na mesma igreja se encontram as correntes que aprisionaram São Pedro durante o reinado de Herodes.


O Teatro de Marcello, único teatro antigo que ainda resta em Roma, recentemente restaurado e que serviu de modelo para a construção do Coliseu, atrás do qual estão as ruínas do Pórtico de Octávia e o Ghetto Judeu, com a mais linda sinagoga que conheci, além de deliciosos cafés e restaurantes, inclusive de comida kosher.



Visitei, também, exposições temporárias sobre “Roma nos Tempos de Caravaggio”, “Il Rinascimento” e de fotografias de Henri Cartier-Bresson e Mario Testino, que fez questão de exibir a nossa linda Gisele Bündchen.


Como não teria como encontrar obras do meu pintor favorito, Johannes Vermeer, à cata das quais saio quando sei que posso encontrá-las, passei parte do meu tempo vendo e revendo as telas de Michelangelo Merisi, “detto Caravaggio”, uma das quais acabei por encontrar, antes do meu regresso ao Brasil, na Ilha de Malta, onde o pintor foi preso pela última vez. Peregrinando pela cidade, contemplei, sempre que por ali passava, a minha obra favorita, “A Crucificação de Pedro”, na parede lateral esquerda da Capela Cerasi, na Igreja Santa Maria del Popolo, em frente à qual fica sua tela “A Conversão de São Paulo”. Percorri, outrossim, as Gallerias Borghese e Doria Pamphili, as Igrejas de Sant’Agostino e San Luigi dei Francesi, o Museu Capitolini e o Palazzo Barberini, onde pude admirar outras quase 20 telas do mencionado pintor.


Tornou-se parada obrigatória da minha família a Gelateria Grom, já aludida por Lívia aqui no blog. Embora haja mais de uma em Roma, a nossa escolha era a localizada na Via della Maddalena, próxima ao Pantheon, onde a simpática atendente Giulia ensaiava umas palavras em português, sempre que nos avistava. Viramos "figurinhas fáceis" ali e, apesar de provarmos os diversos sabores dos sorvetes sem corantes e aditivos químicos oferecidos, o delicioso e inigualável "fior di latte" era rotineiramente um deles.



Apesar do tamanho e do conteúdo desse post já ter superado aquilo que inicialmente me propus a fazer, quero me referir, ainda, aos Restaurantes Aghata e Romeu e La Pergola, premiados, respectivamente, com 2 e 3 estrelas no Guia Michelin, e que merecem, portanto, uma visita.



Por derradeiro, ainda invocando a emoção que me assola quando vou a Roma, quero destacar que até o trajeto para o aeroporto Leonardo da Vinci, em Fiumicino, me encheu de lágrimas os olhos. Naquela tarde do dia 30 de janeiro de 2012, ao cruzar a Av. Cristoforo Colombo, ladeada pelos lindos e únicos Pinhos de Roma, na minha despedida da cidade, fui brindada com um lindo pôr do sol e não pude deixar de me lembrar da minha mãe e, com uma saudade doída, agradecer-lhe por ter me trazido à vida e possibilitado, assim, viver momentos tão inesquecíveis.



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