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ELES CUIDAM DE NÓS, MAS COMO OS MÉDICOS CUIDAM DA PRÓPRIA SAÚDE?

O médico da família e comunidade Marc Storck

Os médicos têm sido grandes protagonistas da sociedade nos últimos meses diante desse cenário de pandemia. Mas e a saúde deles, como está?
Essa é uma preocupação que se mantém ao longo dos anos e que agora fica ainda mais evidente com a sobrecarga de trabalho e também de estudo, pois a velocidade do número de publicações de artigos científicos só aumenta, sem contar que o próprio médico acaba sendo submetido a um mundo de incertezas, em que novos conhecimentos precisam ser acompanhados de forma veloz, deixando protocolos obsoletos cada vez mais rápidos.

Tanto que o Conselho Federal de Medicina (CFM) segue com o estudo “Saúde Mental do Médico Brasileiro”, iniciado em 2018, e agora em uma nova etapa da pesquisa com perguntas sobre o possível impacto da Covid-19 na saúde mental de cada um dos médicos participantes. A divulgação dos resultados será realizada por meio de estatísticas agregadas, sem identificação individual. O objetivo do estudo é para que o CFM possa conhecer, diagnosticar e atuar em programas de prevenção da saúde mental dos médicos.

A medicina tem sido uma das profissões com índice alto de suicídio e com uma expectativa de vida bem menor do que muitas outras.

O médico da família e comunidade Marc Storck comenta que atualmente a saúde do profissional de medicina demanda uma inteligência emocional muito mais desafiadora do que em outras épocas. “A sobrecarga de trabalho somada a maior dedicação aos estudos e as novidades tecnológicas da inteligência artificial propiciam doenças como ansiedade, transtorno depressivo, Síndrome de Burnout e síndrome de má adaptação ao estresse”, explica o médico.

Storck explica que mesmo sem atuar no momento em hospitais, teve um aumento no seu volume de estudos e trabalho. E para que sua saúde não ficasse prejudicada, ele não abre mão de manter hábitos importantes na sua rotina: “Tenho atividades de lazer quatro vezes por semana como leitura de livro, aulas de filosofia, filmes instrutivos, viagens curtas e contato com a natureza. Pego sol três vezes na semana e durmo em ambiente totalmente escuro para aumentar melatonina”, revela. Sobre a alimentação, ele diz que o segredo é descascar mais, e desembalar menos e para não deixar de fazer atividade física, ele é adepto à calistenia, treino realizado com exercícios que usam apenas o peso do corpo e que podem ser feitos em casa.

O médico Marc Storck com a filha caçula

O médico deixa um alerta aos colegas de profissão sobre a atenção e cuidado especial com a glândula adrenal: “Muitas das vezes esquecida até pelos próprios médicos, a glândula adrenal acaba sendo sobrecarregada de forma sistemática, o que é muito prejudicial para saúde, pois, dentre outras funções, ela é responsável por quatro substâncias estratégias para o bem estar físico e emocional: o cortisol, que é o corticoide natural do corpo humano; o DHEA, que é um hormônio esteroidal importante; a aldosterona, com papel importante na regulagem da pressão, e a adrenalina, que exerce funções importantes no sistema cardiovascular”, explica.

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